quarta-feira, maio 23, 2007

Homossexualidade

Se calhar isto é uma questão um pouco fútil, mas pus-me a pensar nisto hoje e já agora produzo alguma coisa:

Porque é que a homossexualidade entre as mulheres é tido como relativamente aceitável e em alguns casos aconselhada (grandas malucas!) enquanto que entre os homens é tida como absolutamente asquerosa? Terá algum fundamento existêncial, isto é, algo na nossa biologia que o designe, ou será apenas e puramente um preconceito?

Para mim, surge-me quase como que evidente que é preconceito. Não há nada na homossexualidade que faça mais sentido nas mulheres do que nos homens. Vejamos até o caso da Antiga Atenas onde a homossexualidade era o normal e comum entre os homens e algo estranho entre as mulheres.

sexta-feira, maio 04, 2007

A um Moribundo

"Não tenhas medo, não! Tranquilamente,
Como adormece a noite pelo Outono,
Fecha os teus olhos, simples, docemente,
Como, à tarde, uma pomba que tem sono...

A cabeça reclina levemente
E os braços deixa-os ir ao abandono,
Como tombam, arfando, ao sol poente,
As asas de uma pomba que tem sono...

O que há depois? Depois?... O azul dos céus?
Um outro mundo? O eterno nada? Deus?
Um abismo? Um castigo? Uma guarida?

Que importa? Que te importa, ó moribundo?
- Seja o que for, será melhor que o mundo!
Tudo será melhor do que esta vida!..."
Florbela Espanca

terça-feira, maio 01, 2007

A moral de um Líder

Após ter revisto o filme 300 (grande filme! espectacular mesmo!) uma dúvida surgiu-me. Para quem não sabe, retrata a batalha de Termópilas(julgo ser assim a escrita) onde o rei Leónidas I e 300 dos seus Espartanos enfrentaram corajosamente o massivo exército persa. Apesar de derrotados até ao último guerreiro, as perdas persas e o exemplo Espartano conduziram os gregos, numa posterior batalha à vitória sobre Xerxes e a sua eventual expulsão de território grego. Mas enfim, isto só interessa a quem é parvo ou gosta de história. O que me leva a escrever este post é um assunto diferente. Independentemente da veracidade do filme, à uma situação, a páginas tantas, em que restam apenas um punhado de espartanos contra milhares de persas e Xerxes, o Imperador persa, apresenta a Leónidas uma proposta tentadora (isto parece mesmo novela " e aí surge Juliana, prima de Liferjerson, que se afirma filha de Leónidas apesar de ser sua amante...") Bom, a proposta era a seguinte: o Leónidas passava a ser rei não só de Esparta mas também de toda a Grécia, que com a ajuda dos persas seria conquistada; Esparta tornar-se-ia a cidade mais poderosa do sítio e os seus habitantes os mais ricos e mais poderosos, somente em troca da submissão perante Xerxes. Ora, para os que estão interessados, aquilo não pega, porque o Leónidas era um gajo mesmo forte e teimoso e desatou aos berros e morreu, ele e os amigos todos, mas que deu luta deu. Como já disse a sua coragem é de um valor tal que merece de facto ser recordada ao longo dos anos. Mas o que realmente interessa e se separa da situação concreta é: Apesar de todos os seus homens estarem dispostos a dar as suas vidas de livre vontade pelo seu rei, e aliás, serem felizes por isso; apesar de a honra da morte em combate ser o maior desejo de qualquer espartano e apesar de a sua coragem, honra, dignidade serem um motivo de orgulho para todos os gregos e homens em geral; terá sido justa a escolha do rei? Terá um líder o direito de submeter todo o seu povo à dor e tragédia para que os seus valores se comprovem e mantenham? Terá sido justo sacrificar 300 homens em troco de valores e moral, perante uma opção de riqueza e fortuna o resto da vida? E acima de tudo, não poderia Esparta ter-se destacado mais como rica e omnipotente perante todos os gregos do que como a bélica e corajosa que hoje recordamos?

A minha resposta é sim tem todo o direito e aliás dever. Os valores de um povo são o que o definem. Não o seu território, não a sua capital, não a sua comida ou costumes, não a sua bandeira ou hino, mas os valores e tradições por trás de todos o eles. Ceder -los perante a riqueza seria morte na mesma, pois Esparta perder-se-ia na mesma. E Leónidas é rei, e digno de tal nome, exactamente por ser o mais alto defensor desta verdade. Pois mesmo quando outros tremeram e sorriram perante esta proposta, ele manteve-se firme à sua pátria, sacrificando-a para a salvar. É claro, que ao abordar esta questão não falo do caso em particular mas do geral, e como tal, concluo que um líder deve manter-se firme aos valores que a sua pátria defende custe o que custar. E qualquer cidadão se deve felicitar por ter um Líder que o sacrifica pela sua Nação sem pestanejar. Um líder, um rei, um presidente, é acima de tudo, o símbolo da sua nação e como tal, deve agir sempre tendo em conta o que o seu país representa.

Deixo uma pergunta de um cariz diferente só a título de bónus: Sacrificar-me-ia pelos valores do meu país?