O meu amigo Aires Ferreira, certa noite, colocou-me uma questão que aqui apresento. O chamado problema de Ferreira. Imaginemos então que tal como sucede em filmes como o Matrix ou o Exterminador Implacável, as máquinas que no dia-a-dia usamos nos passam a dominar e fazem-no de tal forma que extinguem a raça humana restando apenas uma pequena porção do nosso adn. Contudo, estas mesmas máquinas prosseguem o seu desenvolvimento até um ponto onde conseguem possuir sentimentos, uma espécie de inteligência artificial, de tal forma, que experimentam o sentimento de saudade. Com isto, partem numa procura de renovação da espécie humana, isto é, procuram dar vida ao adn humano recriando assim o Homem, tratando-o no entanto de uma forma diferente da anterior. Um pouco, como nós tratamos os animais domésticos. A pergunta que se coloca é: durante o período de tempo em que os homens não passaram de um frasco de adn, o que fomos? Existiu humanidade? O que é eu forma e define humanidade?
Mas agora que me debruço sobre o tema, outra questão me surge: Seria melhor ou pior para as máquinas terem sentimentos? Isto é, se pudéssemos abdicar dos sentimentos, fá-lo-íamos?
segunda-feira, abril 02, 2007
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
8 comentários:
Se abdicássemos dos sentimentos, seríamos máquinas, e isso não ia ter piada nenhuma...
A piada está no ser quem somos, e especialmente no que sentimos a cada instante...
começo por dizer que duvido da capacidade das maquinas se puderem auto-melhorar / evoluirem, pois falta-hes a imaginação (uma capacidade ainda por entender completamente por nós). podem de facto deduzir conclusoes de inferencias, calcular, etc, mas dentro dos padroes previstos pelo programador (pesquisar todas as peças q poçam fazer um aviao andar mais depressa, por exemplo, ou os seus varios formatos... mas nunca inventar um aviao, nao tendo existindo um anteriormente)
acredito sim q se possa criar um programa com campo de possibilidades relativamente indefinidas que podemos aceitar como correspondentes a emoçoes, (poderam é nao ser emoçoes humanas)
parece-me possivel programar uma base, um caracter, uma "personalidade".
em ralação à tua pergunta final, "se pudessemos abdicar das emoçoes fa-lo-iamos?"
posso dizer-te que essa pergunta, a nivel individual pode ainda fazer sentido, mas sendo feita para a humanidade, seria a total desvirtuação da vida (vida? -> existencia) seria a perda da "humanidade" (pergunta q fizes-t a meio do post), seria a perda da beleza (...)
posso ainda dizer, no caso de a pergunta ser feita individualmente, que apos a pessoa ter abdicado das emoçoes, esse estado nao lhe seria minimamente interessante, (e sendo impossivel o Homem deixar de ser completamente homem, haveria sempre apatia, uma morte do sonho, da aspiração, -uma decadencia, etc), pois perceba-se que se o homem alguma vez decide prescindir das emoçoes, fa-lo devido a uma emoçao, e esse estado não pode trazer-lhe o que ele deseja realmente (sentindo essa emoçao)
(sou mesmo hipocrita... tras-me lá mas é licor beirão)
Boas...
conheçes cada cromo.. :)
a ideia aqui n é tanto saber se as máquinas podem ou n atingir inteligência.. é só um conto... q em si nada tem de extraordinário... o q é interesante aqui é o formular de uma questão ainda q muito abstracta e quiça implausivel (ou não)... de um conjunto de acontecimentos que resultaria num hiato em q a humanidade / o homem / ou qq outra coisa diferente de ambas (?) se encontraria reduzida a um pedaço de adn esquecido.. onde existe ese hiato.. o q há em conjunto com ele... o q é q representa ese pedaço de adn? há homem / humanidade?.. se sim de q género? essa é q me parece ser as pergunta interesante.. mais do q o estatuto das máquinas... ( as máquinas q se cuidem pois o antropocentrismo anda por ai a fazer vitimas ;) ).
Abraço...
eu percebi, obrigado (tanto que as perguntas no post sao explicitas)... falei na capacidade das maquinas como uma questão paralela que me pareceu interessante (é por considerar essa questão como um "à parte" que eu disse "começo por dizer que..." e depois supostamente falava-se do que esta no post)
hmmm... de que género de cromo é que falas, ja agora?
anyway...[[]]
eu tb percerbi o à parte ;)... é um outro lado a explorar sim senhor... só q o meu lado humano leva-me a prestar + atenção à possivel condição humana em deterimento da da máquina, apenas isso... e quanto à questão humana aqui exposta, ainda ninguém resolveu adiantar alguma ideia.. o q achas quanto esse aspecto? há homem? humanidade? se sim de q tipo? fisico?
metafisico? (no sentido de algo q está para "além" do fisico? espiritual?
eu não avancei com nenhum comentario em relação a essas perguntas que fazes, por considerar que elas valem por si mesmas, ou seja, com elas somos obrigados a pensar no que define o "homem", aquilo que nele valorizamos, etc... (e a resposta as perguntas dependerá da visão de cada um tem acerca dessas questoes)
és o "ferreira" certo? ... podias explicitar melhor o estado que defines como "pedaços de adn, esquecidos" - as maquinas guardariam apenas a informação do nosso adn, ou 1 exemplar? se a segunda ainda teria sentimenos? seria livres? estaria de alguma forma diminuido?
ricardo (pleased to meet you)
Bom, antes de mais deixei-me dizer que fico contente por este diálogo extrapolar-me. É esse o objectivo do blog.
Bom, quanto ao problema re-apresentado,julgo ser dificil dar uma resposta que não seja leviana. Contudo, penso que de facto não há humanidade mas também não há homem. Há somente, com todo o extremismo a que isto carrega, um frasco com um líquido manhoso. Nada mais. Ser homem é muito mais que isso. Não se retém objectivamente. O estado humano é NECESSÁRIAMENTE subjectivo. Quanto a humanidade, a questão complica-se. Pois suponhamos que eventualmente se recria o Homem e que este se reagrupa e escreve uma História. Caso houvesse recordação, a História da humanidade passaria também por aquele ponto em que não existiam homens correcto? Não. O periodo de tempo em que os homens não passavam de um frasco, não houve humanidade, não houve homens. Houve uma quebra, uma extinção, saliento este termo, extinção. O Homem enquanto raça e não enquanto ente, deixou de existir. Como o dodo. Haveria uma quebra no fio histórico que Renasceria com o homem.
Um abraço
(Já agora Sr's aviso, como sei que ambos gostam de jogar xadrez, e aconselho que adiram ao site www.redhotpawn.com onde poderão jogar vários jogos em simultâneo e onde estes mesmos jogos não se perderão caso tenham de abandonar o pc. Os jogos podem durar dias, o que é uma grande vantagem.)
Enviar um comentário